BECO DO COLÉGIO
O Beco do Pinto, conhecido também como Beco do Colégio, era
uma passagem utilizada na São Paulo antiga para o trânsito de pessoas e
animais, que ligava a antiga Rua do Carmo à várzea do rio Tamanduateí.
Por essa passagem, as pessoas tinham o costume de levar os
dejetos (urina, fezes, resto de comida...) para despejar no rio, já que naquela
época não existia sistema de esgoto e nem coleta de lixo. No entanto, as
pessoas largavam os dejetos no próprio beco, em vez de descer e subir a ladeira
que levava até o rio. Com o tempo o beco foi reduzido a uma depósito de
sujeira.
A passagem ficou fechada por várias décadas por conta de
desavenças de seus vizinhos.
Esse Beco, inicialmente uma pequena passagem de
aproximadamente 19 palmos de largura, sempre foi motivo de desavença entre os
moradores da vizinhança, de um lado o proprietário da casa n.1; o padre José
Vieira Ramalho, casa aonde, mais tarde, veio a instalar-se o Ateneu Paulistano
(colégio de meninos fundado no início do ano de 1855; daí o outro nome dado ao
Beco (Beco do Colégio)) - e o proprietário da casa n. 3; o Brigadeiro Pinto.
Conta a história que a própria Marquesa de Santos, ao comprar o Solar do
herdeiro do Brigadeiro Pinto, em 1834, conseguiu o fechamento da passagem, o
que não era bem visto pela população da época, pois com o seu fechamento
perdeu-se um importante acesso à Várzea do Carmo; hoje o Parque D. Pedro II.
Com a abertura da ladeira do Carmo, hoje Av. Rangel Pestana, em 1912, referido
Beco foi reduzido a um verdadeiro depósito de lixo e ficou fechado por várias
décadas. Em 1980, o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), executou um
projeto de arqueologia no Beco, através do qual localizou vestígios de calçadas
do século XVIII em dolomita (ou dolomite, um mineral rochoso de cor cinza com
raias brancas), tijolo e paralelepípedo, fragmentos de louça, vidro, cerâmica,
ossos e grafite. Foram encontrados, também, estiletes e facas utilizados na
realização de autópsias na delegacia de polícia (a primeira de São Paulo), que
funcionou na Casa n. 1, no fim do século XIX, e depois abrigou o Núcleo de
Referência Arqueológica de São Paulo. Muitos dos fragmentos encontrados neste
restauro também vieram da antiga e histórica Igreja do Colégio que desabou em
1896.
Nos anos de 1990, o Beco do Colégio foi restaurado, sendo
dado tratamento especial às suas escadas, grades e portões. Neste restauro,
houve o acréscimo ao local de vitrines com vestígios dos antigos calçamentos.
Reaberto em 1992 o local passou a fazer parte do circuito
cultural da cidade, havendo a realização de várias atividades culturais como
shows, exposições e diversas feiras, principalmente de artesanato.
Postado por: Edna Maria de Souza George - RA: 1012930
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